28/02/2007

Sobre as Crônicas babilônicas


A “vida real” muitas vezes nos prega peças que até Deus duvidaria. Mas, muitas vezes, essas peças são embarcadas num tabuleiro de xadrez e manipuladas de forma precisa e congruente. Ou seja: “do jeito que o diabo gosta!”. O fato é que se o jogador não for um bom chessmaster, não adiantaria nada a “vida real” lhe mostrar seus absurdos para que ele possa de alguma forma tirar proveito de toda essa fórmula nonsense ali explícita, prontinha para ser transformada e assimilada de maneira mordaz pela platéia.

Em Crônicas Babilônicas tudo isso acontece: um cão conversa com seu dono porque é isso que deveria acontecer, na realidade; Um poeta conversa com uma criança morta, dada por indigente, com uma bala perdida na cabeça, onde as atualizações da vida moderna são administradas em doses homeopáticas através de um jornal usado para cobrir o corpo que ali jaz; Um grupo de excluídos pela sociedade se encontra em reuniões semanais para discutir sua posição na Terra. Ou o que é melhor, para descobrir que a Terra gira em torno deles mesmos. São homossexuais, índios, menores abandonados, prostitutas, donas de casa e... Donas de casa!? Mas como? Quem são esses? E ainda existe aquela filha reprimida pelos pais, tanto moral, sexual quanto psicológico e fisicamente. Sem nenhum pudor, ela ainda assim tenta salvar a família de se tornar o que eles não são, mas que se encontra em fase de “amadurecimento transgressor”. Ou seja, a mãe vive amarrada e amordaçada em uma cadeira francesa, só lhe faltando a forca e a última carta, na sala, enquanto o pai devora tudo e todos que ousam se aproximar da filha, vivendo como um tiranossauro rex verdadeiro, dentro de casa. Surreal? Não, muito próximo de todos nós, mas só as Crônicas Babilônicas conseguem nos mostrar essa realidade de forma tão simpática, agradável e triste de ser, com tanto humor que até conseguimos chorar depois de dar algumas gargalhadas.

Crônicas Babilônicas foi criada a partir das minhas experiências reais, familiares e sociais, convivência com junkies, poetas de boteco, sociólogos de boteco, músicos loucos de boteco, muita gente auto-suficiente enquanto estão nos botecos. Que coisa, não é? Ateus mais crentes em Deus do que se possa imaginar, jovens desrespeitosos com os pais e pais desrespeitosos com seus filhos. Famílias descontroladas por perdas e danos, materiais e morais e, principalmente, financeiros. Amizades baseadas em interesses e muita falta de propósitos e muita saúde jogada fora em noites de álcool e rock’n’roll. Contudo, tive o privilégio de vivenciar tanta coisa assim, estranha. Muitas das vezes calado. Afinal, se abrisse a boca, as minhas idéias eram todas controversas a tais opiniões, já que eu estava ali como espectador de situações e vidas estranhas e paralelas a meus ideais. Um papel de jornalista anacrônico sem a intenção de levar para casa o Pulitzer. Para muitos, um exagero, para outros, isso passa, para os editores não passa de material comercial vendável, já para eu, o autor, um grande laboratório cheio de pequenos camundongos e é tudo puramente isso mesmo e mais um pouco: onirismos da vida real incongruente.

Laz Muniz

Crônicas Babilônicas - Bala Perdida


Crônicas Babilônicas - Bala Perdida


26/02/2007

Embargo Americano à Cuba


Minhas charges quinzenais para o jornal Expressão SINJUS, do Sindicato dos Servidores da Justiça de Segunda Instância de Minas Gerais.
Nesta, mostramos nosso engajamento à Campanha de Apoio a uma Cuba Livre.
Abs,
Laz

Grande Nelson!


A Tchurma!


Desencanando nos Festivais







Se não me engano era 1999 e foi durante as comemorações do FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos) que acontece em Belo Horizonte. Mas podia ser em algum outro festival, tipo o BHQ, ou a Bienal Internacional de Histórias em Quadrinhos, ou...

Bom, a festividade é irrelevante, no momento, pois o que pretendo mostrar aqui é uma das coisinhas que costumamos aprontar durante essas convenções de quadrinistas (caras magrelos ou estranhos, geralmente com barbas por fazer e roupas demodèe. Andam sempre com pastas maiores que o convencional debaixo do braço e vivem tentando cantar as colegiais que aparecem por estes eventos, mostrando-lhes o quanto sabem desenhar uma modelo nua. Ah, e são desenhistas de Quadrinhos, claro!) e que, muito raramente, dá ibope ou qualidade e nunca saímos ganhando nada com isso, mas é divertido.

Peguei um bloquinho de bolso, para anotações relâmpago, e fiz um desenhozinho qualquer, descompromissado com nada. O Fernando Rabello, também quadrinista como eu, viu e rabiscou a página seguinte, dando continuidade à minha cena desenhada. Assim, passando de mão em mão, rabiscou o Ed, da revista Mad, também o Ota, o editor, o Jô Oliveira, grande veterano, o Fabiano Barroso e o Piero Bagnariol, da revista Graffiti 76 % Quadrinhos, e alguns outros autores que não me lembro, porque não assinaram, ou que não reconheci a assinatura, mas eram caras legais e estavam por lá. Estavam muitos outros artistas dos quadrinhos, também, mas estavam tomando refrigerante e não quiseram participar de nossa loucura, rsrsss... Ah, e havia muitos chatos, também, que pensavam que compartilhar da mesma idéia era coisa de desenhista débil e acabavam nos dando as costas ou empinando o nariz.

Portanto, vejam no que deu essa aventura do famoso Rabelo e seu herói Sapu Genti detonando em Tókiu que torno público pela primeira vez! Clique nas imagens para ampliá-las e visualizar melhor.
Abraços,
Laz Muniz

Meu Tema Favorito


Taqui um pedaço de uma das páginas de "Meu Tema Favorito", HQ de minha autoria que fala do envolvimento de uma prostituta latina com um cafetão nova-iorquino apaixonado por jazz, mas sem um pingo de sensibilidade. O que pode acontecer entre estes dois, no momento em que uma banda manbembe, de blues, começa a tocar debaixo da janela daquele motel de quinta?
Hum... só mesmo lendo pra saber.
Ainda inédita, quem se habilita!?
Abs,
Laz

Psicanálise Tardia


Ah, estes rabisco do meu diário. Este aí tava em papel sulfite, acabei encharcando ele de aquarela e, portanto, levou um efeito à caráter.
Abs,
Laz

23/02/2007

Crônicas Babilônicas - Momentos Insólitos


Crônicas Babilônicas - Momentos Insólitos


Crônicas Babilônicas - Momentos Insólitos


21/02/2007

Do Meu Diário...


E Deus nos deu as Mulheres para tornarmo-nos artistas.
Laz Muniz

Do Meu Diário...


15/02/2007

Crônicas Babilônicas - Momentos Insólitos


Crônicas Babilônicas - Momentos Insólitos


Crônicas Babilônicas - Educação Vem de Berço


Crônicas Babilônicas - Momentos Insólitos


Crônicas Babilônicas - Terapia dos Excluídos


Crônicas Babilônicas - Momentos Insólitos


13/02/2007

Henriquinho...


Crônicas Babilônicas - Momentos Insólitos


Crônicas Babilônicas


Salomão

Salomão foi publicada, na íntegra, na revista Graffiti 76% Quadrinhos. Aqui, dou uma canjinha da primeira página, à cores.
Comentem!
Abs,
Laz Muniz

Crônicas Babilônicas - Prostituição Infantil I


Um Momento...


Step-by-Step Ciranda de Meias


12/02/2007

Uns Lápis


Algumas mulheres


09/02/2007

Fast-Food Uterino


O Clone


Aqualung


07/02/2007

Guerreiras de Gaia

As ilustrações do mineiro Laz Muniz estão no livro Guerreiras de Gaia, da atriz e escritora Gisele Werneck. Segundo a autora desta obra juvenil, o livro também cairá no gosto dos adultos e das crianças. Já elogiado pela atriz Lavínia Vlasak e pelo premiado roteirista e diretor mineiro, de cinema, Byron O’Neill, Guerreiras de Gaia traz a saga de cinco mulheres que, de uma hora para outra, terão que abandonar suas vidas normais e serem treinadas pelos antigos mestres Jedegaias, numa terra chamada Gaiatmã, para livrar o Planeta Terra das mãos dos Metazeus.

Gisele Werneck trabalhou na novela Malhação, da Rede Globo, encenando a personagem Telma, bibliotecária da escola Múltipla Escolha, entre outros papéis para a emissora e para o cinema nacional. Guerreiras de Gaia, da Zeus Editora, do Rio de Janeiro, é sua estréia na literatura.

Guerreiras de Gaia, 324 págs., formato 23 x 16 cm, Editora Zeus, da Editora YH Lucerna Ltda. Rio de Janeiro, setembro de 2006.
Disponível em todas as boas livrarias do ramo, no Brasil.

www.guerreirasdegaia.com


Muiraquitã, de Wellington Srbek e Laz Muniz, é lançado em Minas







Por Sidney Gusman (04/10/06) – Universo HQ

Em 1986, por brincadeira, o mineiro Wellington Srbek começou a desenhar quadrinhos. Este ano, ele comemora 20 anos de muita dedicação à arte seqüencial como um dos melhores roteiristas dos últimos anos. Para comemorar a data, está lançando mais uma produção independente: Muiraquitã (formato 17 x 24 cm, 120 páginas em preto-e-branco, R$ 20,00), com desenhos de Laz Muniz. A noite de autógrafos acontecerá na quinta-feira (5 de outubro), das 19h às 22h, na Livraria Quixote (Rua Fernandes Tourinho, 274 - Savassi), em Belo Horizonte.

Há mais de três anos, Srbek tentava viabilizar a publicação por alguma grande editora; como não conseguiu, novamente, como fez com o maravilhoso Estórias Gerais, bancou o álbum do próprio bolso, desta vez com menos requinte gráfico, pois não estava amparado por nenhuma lei de incentivo à cultura.

Muiraquitã teve uma prévia (na verdade, um capítulo) distribuída gratuitamente durante o 4º Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte. Agora, os leitores terão a chance de apreciar a história completa.

Na trama, dividida em cinco capítulos, o jovem biólogo Miguel Andrade, que gozava férias na Amazônia, descobre um antigo amuleto em forma de rã, que se mescla misteriosamente ao seu corpo. Ele então decide pedir ajuda ao professor e pesquisador de fenômenos sobrenaturais Cornelius Flamarion (desenhado à semelhança do mestre do quadrinho nacional Flavio Colin) e começa a conviver com coisas que jamais imaginou existirem: Lobisomem, Saci-Pererê, Bicho-Papão, Curupira e outros seres do imaginário popular brasileiro.

Enquanto tenta desvendar o que está acontecendo consigo, Miguel acaba envolvido numa trama misteriosa que ameaça vários mitos de nosso folclore. Outra boa HQ com a assinatura de Srbek.

O álbum pode ser adquirido pelo site da Leitura ou pelo telefone 0XX-31-3287-2002.






AVENTURAS E MISTÉRIOS EM MUIRAQUITÃ, DE WELLINGTON SRBEK, COM ARTES DE LAZ MUNIZ.

Para comemorar uma trajetória de 20 anos na produção de quadrinhos, o Historiador mineiro Wellington Srbek, premiado editor e roteirista, lança o álbum 'Muiraquitã', com seu roteiro e desenhos de Laz Muniz.

O álbum está dividido em cinco capítulos, e trata da história do jovem biólogo Miguel Andrade, que descobre na Amazônia um antigo amuleto em forma de rã - o enigmático Muiraquitã -, que se mescla misteriosamente ao seu corpo. A partir daí, sua vida se torna uma aventura repleta de acontecimentos fantásticos na companhia do pesquisador de fenômenos sobrenaturais Cornelius Flamarion. Em sua busca, esta improvável dupla de heróis acaba se envolvendo com lobisomens, curupiras, sacis-pererês, bichos-papões e outros seres de nosso imaginário popular. Enquanto tenta desvendar o que está acontecendo consigo, Miguel acaba envolvido numa trama misteriosa que ameaça vários mitos de nosso folclore.

Parte do álbum já havia sido publicada na edição "Muiraquitã Especial", distribuída durante o FIQ 2005 – Festival Internacional de Quadrinhos, de Belo Horizonte. Agora, finalmente, os leitores poderão conhecer toda a história e descobrir os segredos que envolvem o misterioso amuleto indígena.

Wellington Srbek é um autor de renome, mesmo circulando à margem do parco mercado de quadrinhos nacionais. Sem o espaço que merece nas grandes editoras, vai produzindo suas revistas e álbuns de forma independente e eventualmente com apoio de leis de incentivo cultural. Dessa forma lançou a série de revistas ‘Solar’ e outros títulos, como ‘Fantasmagoriana’, ‘Mirabilia’, ‘Quantum’, ‘Mystérion’, ‘Apócripha’, ‘Monstros’, ‘Estórias Gerais’, ‘O Melhor do Arroz Integral’, entre outros.

Pela editora independente Marca de Fantasia, Wellington lançou livros teóricos com estudos voltados para as Histórias em Quadrinhos, a exemplo de ‘Entrequadros’, ‘Um mundo em quadrinhos’ e ‘Quadrinhos & outros bichos’. Agora ele começa uma carreira internacional, com a versão de seu principal trabalho para o idioma espanhol, o álbum ‘Estórias Gerais’, em parceria com o mestre Flavio Colin. O livro “Tierra de Histórias”, lançado recentemente na Espanha, já repercute favoravelmente.

MUIRAQUITÃ
Autores: Wellington Srbek e Laz Muniz
Edição independente. Belo Horizonte: 2006. 120p, 17x24cm
Valor: R$ 20,00 (sem frete) - O álbum pode ser adquirido pela Marca de Fantasia por R$ 22,00 (publicação mais manuseio e postagem) ou diretamente ao autor, pelo e-mail wellingtonsrbek@ig.com.br

http://www.marcadefantasia.com.br





Muiraquitã Especial foi lançado durante o 4º FIQ


Por Sidney Gusman (21/10/05) – Universo HQ

Enquanto aguarda que uma editora nacional manifeste interesse em publicar o álbum Muiraquitã, uma trama envolvente que amarra lendas de vários estados do Brasil, o roteirista mineiro Wellington Srbek deu um jeito de atrair as atenções para a história durante o 4º Festival Internacional de Quadrinhos.

Com apoio da prefeitura de Belo Horizonte, ele lançou a edição Muiraquitã Especial (formato 20 x 28 cm, 24 páginas em preto-e-branco), que foi distribuída gratuitamente durante o evento.

A edição, na verdade, é o terceiro capítulo do álbum, mas pode ser compreendido amparado pelo breve resumo na página de apresentação. Os desenhos são de ilustrador Laz Muniz.

Numa viagem pela Amazônia, o biólogo Miguel Andrade encontra um pequeno amuleto de pedra verde em forma de rã, que ganha vida e se mescla ao seu corpo.

De volta à sua cidade natal, Belo Horizonte, Miguel conhece o professor Cornelius Flamarion (desenhado à semelhança do mestre do traço nacional Flavio Colin), um especialista em assuntos sobrenaturais. Juntos, eles passam a percorrer o Brasil enfrentando lobisomens, mulas-sem-cabeça e outros monstros, enquanto tentam desvendar o que aconteceu na Amazônia.

Em Muiraquitã Especial, por exemplo, os dois vão à cidade histórica de Ouro Preto, em Minas Gerais, para investigar o desaparecimento de várias crianças. E o criminoso é muito mais que um simples humano.

A edição está sendo vendida por R$ 5,00 nas gibiterias atendidas pela Comix Book Shop.

Ciranda de Meias - Coleção Mais de Perto

Ciranda de Meias, de Jonas Ribeiro e ilustrações de Laz Muniz, é o segundo livro da coleção Mais de Perto, da Editora Dimensão.

Jonas escolheu o discurso poético para contar a história de Marcelo, que tem Síndrome de Down. Marcelo é uma paisagem perdida, uma árvore desfolhada, uma casa comum, uma rua sem estrela. Marcelo se assemelha a ninguém. É um ninguém. Ninguém dá falta dele. Talvez dê da ausência dele. De tanto ver, não vemos. É preciso que uma estrela seja apagada no universo para que sintamos a sua falta.

Marcelo tem muitas solidões. Suas noites são de abismos imensos e seus dias são horas que não acabam nunca. Ele cria uma teoria de que tudo o que acontece de noite é sombrio, enigmático, abstrato. Durante o dia, tudo é concreto, claro, definido. Marcelo sabe que a Síndrome de Down não é nada comparada a outras síndromes. Há tanta síndrome no mundo regido pelos “normais” que Marcelo se perde em tanta indiferença e solidão. Enumera algumas síndromes: do degrau (a gente escolhe um degrau e fica sentado nele a vida toda, como se não houvesse outros degraus e outras escadas); do afastamento (a gente acha que o degrau é uma solução, uma segurança e, à medida que nos fixamos no degrau, nos afastamos do mundo). E outras síndromes que se completam, como a da solidão grande, das lágrimas desobedientes, da saudade da origem. Vontade de voltar a ser feto e ficar por lá enquanto durar a vida.

No palco da rua, os meninos cirandam com bolas de meias. Marcelo quer participar do mundo de Bruno, de Guilherme, de Leandro e de Ana Carolina, mas o degrau não deixa, ele está fixo em seu degrau de dor. O que ele espera para cirandar? Um convite, coragem, um milagre? Mas se há uma batalha, há um vencedor e um vencido. Marcelo levanta-se, vai ao quarto, abre a gaveta da cômoda, retira todas as meias e faz uma ciranda com elas. Mas os meninos têm outras síndromes que descobrem aos poucos: síndrome do umbigo, síndrome da ignorância, do egoísmo, da cegueira e da surdez oportunas. É preciso dar um tchau para estas síndromes e abraçar o mundo e cirandar o mundo. E é isto que fazem. Marcelo desce do degrau, os meninos riem e dão as mãos. O mundo é uma ciranda, um círculo que não se desfaz, uma esfera que espera a mão do outro, o abraço do outro, a síndrome do outro.

Ciranda de Meias é como uma bola de meia. Tudo é redondo. As ilustrações, belíssimas, giram nas páginas, giram nos olhos e giram em torno das palavras de Jonas e a história de Jonas ciranda nos olhos e fica no coração.

Ronald ClaverEscritor.
Revista Presença Pedagógica nº 68, março/abril 2006 – Editora Dimensão, Belo Horizonte/MG.

Lula, O Leão - Coleção Bilbeli


Autores: Edimilson de Almeida Pereira e Prisca Agustoni

Ilustrador: Laz Muniz

Formato: 20 x 20 cm - 16 págs.

Franco Editora - Juiz de Fóra,MG - 2003

São Briguelo e Outros Escritos


Autor: Tito Guimarãis

Ilustrador: Laz Muniz

Formato: 21 x 13,5 cm - 108 págs.

Editora: Armazém de Idéias - Belo Horizonte,MG - 1997

05/02/2007

O TORMENTO DA REPÚBLICA DAS BANANAS



PÁG. 01 DE ENTRE UM SILÊNCIO E OUTRO


PÁG. 02 DE ENTRE UM SILÊNCIO E OUTRO


PÁG. 03 DE ENTRE UM SILÊNCIO E OUTRO


TRATAMENTO DAS ARTES STEP BY STEP 03


Bacanal de Estrelas você pode ler, na íntegra, na revista Graffiti 76% Quadrinhos.

TRATAMENTO DAS ARTES STEP BY STEP 02


TRATAMENTO DAS ARTES STEP BY STEP


02/02/2007

AQUELE VELHO NARIZ VERMELHO, MALTRAPILHO, NA VIDRAÇA DO RESTAURANTE


Ah, aquela velha expressão do mau-caráter que tudo mostra por debaixo do sobretudo, mas ninguém (nós, espectadores) vê ou desvenda seus segredos. Essa surpresa quase sempre fica por conta de sua vítima, outra personagem da história.

Não faço idéia de onde surgiu essa expressão libidinosa, mas sei que é como aquelas velhas piadinhas do náufrago, sozinho na ilha, e o coqueiro; ou aquelas do sedento no deserto, que eu adoro. Por incrível que pareça, são tão clichês, mas ainda assim conseguimos tirar bons proveitos e criar novas piadinhas em cima desses cartuns lugares comuns. O importante é, sempre, conseguir dar uma cara nova ao mesmo assunto.

No caso desse cartum que lhes apresento, a surpresa também fica a nosso cargo, leitores. E podem notar que, como nas figuras desnutridas e desgraçadas, as imagens de produtos e alimentos típicos do consumismo exacerbado mostradas pelo sujeito, indefinido e misterioso, nos causam tanto a vontade quanto o repúdio.

Esse não é, em si, um cartum engraçado. É um cartum que, à primeira vista, você dá aquele sorrisinho de quem não entendeu nada, mas não quer deixar o autor sem graça, e depois que entende ou se faz entender, sente aquele “que puxa” dando um nó no estômago.

Vocês conhecem aquela velha cena, também clichê, do mendigo observando as pessoas, pela vidraça, comendo em um restaurante bacana, não é? Isso não é verdade. Ele não observa ninguém comer. O que ele observa, com estima e saudade, ou com ciúme e inveja, é a família. A união familiar, o momento, a alegria, a confraternização. Afinal, se ele ingerir um prato de ravioli ou trutas do mar, o camarada é capaz de pôr tudo pra fora em pouco tempo e sentir dores horrorosas no estômago a noite toda. Ao menos, isso foi o que me relatou um indigente, certa vez, na porta de minha casa. Ele batucava ferozmente uma latinha (era um samba frenético como um jazz beebop) quando meu avô lhe ofereceu um prato de arroz, feijão, um filé bem passado e batatas gratinadas, além de um refrigerante. “Muito obrigado, Seu Washington. Mas se o senhor quiser me dar uma caixinha de leite, eu vou aceitar. Estou tão acostumado a comer lixo que se descer uma comida decente e temperada no meu estômago, eu vou até parar no hospital, se me deixarem entrar, claro!” Essa foi sua resposta. Advogado era o caboclo. Largou tudo por conta de um amor que o trocou por outro alguém. Portanto, se vires aquele maltrapilho com o nariz na vitrine, lembre-se que ele não quer sua comida. Ele só está remoendo lembranças ou sonhando com momentos que nunca teve, ao contrário dos cães, que querem a comida, o carinho e tudo o mais que você puder lhes oferecer.

LOURÃO BURRO E OUTROS PRECONCEITOS


Se tem uma coisa que me incomoda é o tal do machismo. E vou falar com seriedade, viu? Acredito que existem mais mulheres machistas do que o próprio homem! É sério. Assim como tem negro racista e latino neo-nazista. É tudo preconceito do mesmo saco. Preconceito enraizado, forte, cheio de fúria mas com um eterno medo de se revelar, de mostrar a cara, de verdade, pra ninguém achar que é maricas. Viu!? Outro preconceito! Porque ser maricas seria sinônimo de feminilidade ou, no sentido da frase, fresco, abichado, homossexual!? Preconceito puro! Preconceito que parte do próprio homossexual que acredita piamente que para ser gay tem que ser afeminado (no caso dos homens), ou ser machona (no caso das mulheres). Não podem ser o que são, não!? O quê!? Aí não seriam homossexuais? Outro preconceito!

Mas no caso do machismo... Já notaram que todos os verbos, no dicionário, estão no masculino? Pois é, no caso desse cartum, partiu do princípio de que as mulheres, nas histórias da Bíblia, são todas secundárias. E depois disso, o que se vê na história da humanidade, são mulheres que só apareceram e se tornaram personalidades porque desafiaram o patriarcado. Mesmo assim, até hoje, pra se conquistar seu lugar, ela precisa de desafiar o homem, disputar seu espaço.

Vocês já ouviram piadinha de louro burro? Porque só a mulher é burra? Porque eu não posso contar piada de negro mas posso contar piada de mulher burra, ainda por cima se estiver no volante!? Pra mim, é preconceito do mesmo tanto.

Não estou levantando bandeira do feminismo (acho que não é esse o caso), mas a bandeira contra o preconceito, que acaba partindo de tudo e de todos (como no cartum) porque está enraizado e nós estamos condicionados a isso. Uma coisa é certa, vai demorar muito pro homem (e a mulher!) se desvincular de tudo isso e, mais certo ainda, não estaremos aqui (ao menos nessa vida) para fazer parte desse grande salto da humanidade.

RASCUNHOS DE UM ROTEIRO





Meus rabiscos do dia-a-dia, à parte...

OURO D'ÁGUA


Duas páginas - 01 e 03 - de grila (como diziam quando eu tinha 5 aninhos) procês curtirem!
Abs,
Laz

01/02/2007

SABER PASSAR A IDÉIA É FUNDAMENTAL, PRINCIPALMENTE SE FALTAM DOIS SEGUNDOS PRA TUDO IR PELOS ARES.



Ah, ainda inspirado pelas atrocidades que surtam das cabeças de certas facções, a fim de promoverem o terror (como gosta J.W.Bush), este cartum aquarelado surgiu de quando um homem-bomba se explodiu em um shopping, nos EUA. Não sei se vocês se lembram disso, mas faz um bom tempo – nem eu me lembro mais! Só me lembro de ficar imaginando o cara entrando em um grande salão de festas onde todos os seus amigos e familiares já o esperavam, de surpresa, para lhe dar as boas-vindas e os parabéns pelo dia de seu aniversário.

Sei que não consegui passar toda essa idéia através deste cartum, mas sei que essa foi minha intenção, o que na prática não ficou nada nobre a clareza do contexto. Mas, como gosto dessa arte, propus apenas compartilhar de sua beleza com vocês. Afinal, na época eu estava iniciando meus primeiros contatos com a aquarela e, acreditem, isso deve ter sido uma das dez primeiras artes que fiz com a tinta.

Um detalhe crucial: reparem no relógio que faltam apenas dois segundos pra toda aquela parafernália explodir, e o que é melhor: o sorriso sem-graça do sujeito, ririri...

CARTUM PATICUNDUM ZIRIGUIDUM!

... Então a gente acaba se esbaldando de um poquitím de criatividade e faz uma capa qualquer pra algo que não existe e brinca, e brinca e brinca...

PASSO-A-PASSO 03

...E mais uma etapa dos meus passo- a-passos (como é o plural disso!?) com uma sombra sobreposta e tratada no Photoshop.
Confiram o resultado final, depois, aí em cima.
Bjs e abs,
Laz Muniz

ALGUÉM TEM QUE PENSAR POR MIM EM MEUS MOMENTOS DE DEADLINE

E teve o Salão de Humor do Uruguai com o tema O Que o Século XX nos Deixou. Fui pego de surpresa, em cima da hora, de quando chegou o regulamento e a ficha de inscrição. Mas tentei, assim mesmo. Já era tarde, faltavam dois dias para fechar e eu ainda não havia finalizado as artes. Nem por Sedex 10 meu pacote chegaria à Montevidéu a tempo. Uma pena. Mas na correria nada dá certo, mesmo (desde que você tenha prazo). Bom, depende: muitas vezes consigo bons resultados no deadline.

De sopetão, a primeira idéia que me veio, dentro do tema proposto pelo Salão, foi esta: a de um Pensador, de Rodin, que pensou demais; ou que não pensou o suficiente; ou que teve todas as suas grandes idéias apagadas; um Pensador sabotado; um Pensador que não nos deu a chance de conhecer sua filosofia antes de entrarmos no século XXI; um Pensador que já estava de saco cheio de pensar pela humanidade e ninguém lhe dar a devida atenção; um Pensador que teria pensado um pouco mais se seu HD fosse de 200 GB, em vez de 80.
Ah, foi só o que consegui pensar...